Uma vontade que eu não sei de quê. Uma ansiedade que não sei de onde. Um suspiro profundo pra tentar encontrar a razão. Pra tentar achar a verdade. Pra tentar ter coragem da verdade. Covardia. Coragem só na cabeça, só no ideal. Covarde.
Medo da verdade. Não: medo do que vem depois da verdade. Medo não sei de quê. Não sei por que.

Quando tudo parece se encaixar, quando cada parafuso parece que encontrou seu buraco, um deles decide pular fora. Um deles decide atormentar. Atormentar a minha paz. No fundo, é só o que eu procuro. É só o que todo mundo procura, não é? Paz interior, paz consigo mesmo. Não deve existir nenhum sentimento melhor do que esse. Nem amar e ser amado é tão bom quanto se sentir bem por dentro. Aquilo é consequência disso. Ou vice-versa.

Afinal, só ir vivendo cansa. Viver por viver? Viver ocupando espaço no mundo sem acrescentar nada? Viver sem ver?
Eu quero viver sem medo. No fear. Dá pra vender o medo? Se desse, seria ótimo: acabaria com o medo e ainda ganhava uns trocados. Dinheiro… tão importante e ao mesmo tempo tão dispensável. Felicidade é isso. É estar junto de quem você ama no momento. Pra mim uma risada de doer a barriga é felicidade – e melhor ainda quando é inesperada. Um abraço quentinho seguido de um beijo molhado é felicidade. E ainda que muitos tentem – isso não se compra. Que mania de banalizar essas coisas, de tentar transformar tudo em um sistema de produção. Tudo tem que dar lucro, tudo tem que ser produtivo. Por quê? Por quem? Se encaixar no sistema… Ser apenas mais uma engrenagem dessa máquina que gira esse círculo vicioso. Mas às vezes cansa dar murro em ponta de faca. E nesses momentos aquele abraço cai bem. Sem compromisso, sem segundas intenções, só um abraço mesmo.

Eu queria viver sem medo. Será que é possível varrer o medo? É, varrer igual pó no chão. Mas não varrer pra debaixo do tapete, porque esse pó sempre volta. Mais cedo ou mais tarde ele volta. Varrer mesmo. Jogar fora, mandar pelo ralo, jogar no lixo. Só que igual o lixeiro leva o lixo, alguém passaria e levaria o medo consigo. Aí ele não seria extirpado, somente passado de mão. E um dia alguém pode passá-lo de volta pra você.

Mas não. Perder esse medo deve ser igual o medo de andar de bicicleta. Uma vez perdido, sempre perdido.
A não ser que você sofra um acidente e rale o cotovelo. Mas aí é só um medinho que logo passa. O importante é a perda desse primeiro medo. Eu aprendi a andar de bicicleta com uns 6 anos e perdi aquele medo. Eu vivo há 19 anos e ainda não consegui perder esse.
Medo de quê mesmo?

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“Lutar com palavras parece sem fruto…

… não têm carne e sangue. Entretanto, luto” Carlos Drummond de Andrade

Viver em sociedade requer concessões em diversos sentidos, por mais que, por exemplo, discordemos do ponto de vista alheio. Várias são as reações nesses casos, mas utilizar palavras para defender nossas visões pode ser mais eficiente, apesar de complicado.

A sabedoria em se posicionar quando não há convergência de opiniões depende de uma boa base educacional  – tanto familiar, para que haja respeito, como acadêmica, para que haja embasamento. Sem aquela, ficamos paralisados no tempo em que as falácias eram lugar-comum: opiniões eram tidas como verdades absolutas, sem explicações mais profundas.

Qualquer tipo de contestação, principalmente aos mais velhos, era tida como desrespeitosa e, por isso, tolhida em razão da herança patriarcal de nossa sociedade. Assim, acostumou-se a ignorar atos contrários à visão de mundo de cada um, mesmo quando diálogos podem enriquecer culturalmente os dois lados.

Quando a discrepância de opiniões é extrema, no entanto, reduz-se ao instinto humano básico: o ataque físico. Isso é gerado pela falta de hábito de questionar com palavras, além de certa ignorância e brutalidade. Esquece-se, com isso, da educação e de nossa Constituição, cujos dizeres garantem liberdade de expressão e opinião a todos os cidadãos.

A violência motivada por desacordo de opiniões deve ser inibida, visto que fere a Constituição e as práticas democráticas. Ao mesmo tempo que a contestação deve ser encorajada, à medida que discussões podem proporcionar mudanças em antigos valores sociais, assim como gerar melhoras na educação. Com isso, podem-se construir cidadãos com pensamento crítico, capazes de avaliar e até modificar o mundo em que vivemos.

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A diferença vegetarianismo e babaquice

Há alguns dias, após assistir o filme Terráqueos, decidi parar de consumir carne vermelha, assim como de aves em geral. Tenho uma sensibilidade grande com animais e, após ver com meus próprios olhos o sofrimento de vacas, bois, frangos, perus, porcos, etc para virem para o meu prato, simplesmente não consegui mais comer esse tipo de alimento. Ponto.

Por ser uma decisão minha, ela só concerne a mim. Do mesmo modo que não é direito de ninguém me julgar por isso, não é meu direito julgar aqueles que não ajam dessa maneira.

Tentar doutrinar os outros para se tornarem semelhantes é simplesmente ridículo – e isso vale para qualquer aspecto, seja político, religioso, social.

O que me causa mais perplexidade é a maneira como o homem transformou a vida em uma fábrica: os animais são obrigados a se reproduzirem e/ou engordarem até um ponto extremo, para depois serem mortos de maneira nem sempre cuidadosa e não traumatizante.

Muitos argumentam que os animais têm esse propósito ou que “o mais forte sempre domina o mais fraco”. Bem, não me parece muito racional ou justa a ideia de que vacas e porcos, por exemplo, sejam mantidos em cubículos, com injeções de hormônios para acelerar um processo natural. Além disso, é muito cruel, já que é comprovado que os bichos possuem, sim, inter-relações nem sempre compreendidas pelos humanos.
Essa produção animal quase num modo fordista causa danos à natureza em vários aspectos, tanto ambientais, como nas cadeias alimentares.

Não podemos esperar que as pessoas sejam sempre racionais – as atitudes de alguns políticos brasileiros são uma grande prova disso – mas nós, humanos, somos sensíveis às dores de nossos semelhantes. Se considerarmos que todos nós também somos uma espécie como qualquer outra, poderemos refletir e concluir como essa ” fábrica” é cruel e, quem sabe, tentar mudar alguma coisa.
Alguns ainda podem dizer que uma pessoa só não fará diferença e que nada mudará. Bem, a eles eu respondo com uma frase de um dos meus autores preferidos, Jack Kerouac: “(…) as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”

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A geração Harry Potter

Harry Potter e as Relíquias da Morte 2 bateu todos os recordes de bilheteria no mundo, arrecadando quase meio bilhão de dólares com poucos dias de exibição (eu mesmo já assisti duas vezes no cinema).

Diversas explicações podem ser buscadas para tal fenômeno que, sem dúvida, moldou a geração dos anos 2000. Entre as mais comuns, está a de que todos acompanharam o menino bruxo desde seu nascimento, ficando com raiva de seus tios que o maltratavam, torcendo sempre que tinha algum inimigo para enfrentar e se exaltando quando ele passava por suas diversas aventuras.
Todos que se permitiram ser invadidos pela mágica de Harry Potter, inevitavelmente, se afeiçoaram à história.

A genialidade de J.K. Rowling, ao criar esse universo de bruxaria, já foi discutida diversas vezes e, por mais que argumente-se que não há 100% de originalidade ou de consistência, é inegável o seu mérito em ter construído um personagem preso em uma teia tão vasta de histórias, lendas, pessoas e fatos.

No fim, Harry Potter se construiu na velha história do bem contra o mal – é claro que o caminho para chegar nessa batalha final foi longo, tortuoso e – por que não? – genial.
Dentro do mundo dos contos de fadas, os bonzinhos sempre vencem. Em HP, Harry não poderia deixar de vencer Lord Voldemort (inclusive por ameaças à própria autora).
Entretanto,  esse conflito entre os bons e os maus foi muito maior, já que em diversos momentos, Harry tinha dúvidas se era realmente bom ou se o mal também vivia dentro dele. Em uma das cenas mais bonitas de todos os filmes da série, seu padrasto Sirius responde a ele que todos nós temos luz e escuridão dentro de nós, mas que o que realmente importa é o lado que escolhemos usar.

Partindo para um lado com mais ação, os feitiços, poções, encantamentos, maldições, etc criados por J.K. são, também, dignos de aplausos. A começar pelo simples Wingardium Leviosa, famoso nos primeiros livro e filme, até as obscuras maldições proibidas. (sinceramente: quem nunca desejou mandar um “Crucio!” para aquela pessoa bem  pentelha?!)

Harry Potter fez parte da infância de 98% dos jovens de 10 a 25 anos.  Harry Potter desenvolveu o hábito de leitura em muitos de nós. Harry Potter nos lembrou como é importante nunca deixar de sonhar. Harry Potter é um dos símbolos da geração da primeira década dos anos 2000 – da nossa geração.

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A queda, a poeira e o sonho

“Quanto mais alto o voo (agora sem circunflexo), mais dura é a queda.” Certo? Certo.

Obter ótimos resultados em provas, receber boas energias das pessoas que gostamos, ter uma sequência de fatos excelentes… Enfim, tudo isso faz um bem danado. A pergunta restante é: a quem? Pois a resposta é simples: ao ego.

Nosso ego é alimentado e acariciado sempre que algo de bom nos acontece, seja premeditadamente ou não. Até ai, nenhuma dúvida ou problema.

A questão é o dia seguinte. Logo que somos envaidecidos por coisas boas, inconscientemente passamos a crer que sempre será assim. Ou pelo menos que pelos próximos tempos. Bem, a resposta é dura como a queda: não será.

Estatísticas comprovadas por ninguém menos que a minha pessoa mostram que assim que a graça nos é dada (ou conquistada), nosso inconsciente se excita e nosso consciente relaxa (paradoxal, não?). Explico, chamando seu inconsciente de João e seu consciente de Maria: Se você tirou 10 em uma prova, você ficará feliz (assim como João e Maria). Entretanto, na prova seguinte, João ainda te animará com o 10 anterior, fazendo com que Maria relaxe nos estudos. A prova vem e qual a surpresa: você tirou 2. João e Maria choram.

O próximo passo é sempre seguir em frente na estrada cheia de buracos, armadilhas e ondulações. Faça a humildade dominar seu ego e mexa-se. Ninguém vai se mover por você, esse trabalho é só seu. Seu sonhos te esperam.

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Súbita saudade

Fui invadido agora por um sentimento grande de saudade de uma grande mulher que conheci há alguns anos… Infelizmente, ela partiu precocemente desta vida. Deixou uma linda família e um legado enorme a quem um dia teve o prazer de ser por ela ensinado e de ter por ela se encantado.

Dedico este a você, inesquecível e eterna Frau.

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A dependência tecnológica, a cidade e as serras

“A dependência elétrica de nossa sociedade impede o desvencilhamento desse bem tão bom, que se torna mau.”

O cursinho anda me consumindo muito tempo, como era de se esperar. Como nos raros momentos de descanso só penso em dormir, fica cada vez mais difícil me concentrar para escrever. De qualquer modo, enrolo há quase 1 mês para fazer um texto relacionado ao ótimo A Cidade e As Serras, do grande Eça de Queirós.

Apesar de o livro ter sido escrito há mais de 100 anos, seu enredo permanece bastante atual, à medida que contrasta os benefícios do controle da tecnologia sobre nossas vidas, ainda que esta seja incrivelmente superficial. Talvez por este motivo ainda esteja entre os temidos livros de leitura obrigatória dos vestibulares da Fuvest e da Unicamp.

Jacinto possui tanta parafernalha de última geração que nada o anima, o apetece ou o excita: tudo é novo, mas já é velho.

Acidentalmente, em uma viagem para cuidar de negócios de família, ele e seu fiel escudeiro Zé Fernandes acabam presos em uma simpática casa no campo, mas desprovida até de luz elétrica. A tragédia parece se instaurar na vida dos dois citadinos. Qual é a surpresa quando Jacinto começa a se afeiçoar pelas árvores, pelas flores, pela água direto da bica, pelo sol na cabeça, pelo ar puro e pela paz trazida pelas belas paisagens naturais – ao ponto de realmente sentir fome, pela primeira vez em anos (!)

A cidade o havia viciado em não apreciar as coisas por sua essência, mas somente o que o homem foi capaz de dominar tecnologicamente, visando ao suposto benefício e progresso da humanidade.

No campo, como era de se esperar, apaixona-se por uma moça, casa e tem filhos, permanecendo na cidadezinha. Um final pouco surpreendente para uma obra de incrível originalidade, principalmente por ter sido escrita em uma época de intenso progresso tecnológico e cultural, característica primordial da Belle Époque, período vivido durante os anos que precederam a Primeira Guerra Mundial que, aliás, acabou com as esperanças de um mundo regido pela tecnologia criada somente para o bem comum da humanidade.

A situação vem se intensificando de maneira extrema desde a publicação da obra, principalmente nas últimas décadas. Com a criação da Internet, pisamos fundo no progresso tecnológico – tanto que somos incapazes de abandoná-lo (ou alguém vive sem conferir o perfil do Facebook e do Twitter, sem o celular, sem a televisão?). Somos, sim, escravos da tecnologia.

A partir da leitura de um bom livro (dotado de páginas de papel, diga-se de passagem, já que o iPad prescinde destas para lermos) somos transferidos para outra realidade. Entretanto, em decorrência do hábito cada vez mais frequente, podendo tornar-se até patológico, de gastarmos horas conectados, usamos a desculpa de “não termos tempo para ler” e com isso adiamos algo que está conosco desde as antigas civilizações, como a egípcia e a suméria: a escrita e, consequentemente, a leitura. Esquecemos de usar nossa criatividade para produzir algo que valha a pena, já que como diz o ditado popular, “ler é pegar emprestado. Escrever é pagar a dívida.”

A diferença entre quem diz que não tem tempo para tudo e quem de fato o tem, é que o segundo sabe organizar suas atividades e prioridades de maneira mais eficiente e produtiva que o primeiro.

Na vida selvagem, aquele que é improdutivo morre. Na vida humana, o improdutivo também morre, mas esta morte é mais grave, já que quem cai por terra é o intelecto.

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